O que é vício em sexo?
O sexo é uma parte normal da experiência humana, e que a sociedade moderna agora abraça e incentiva. Nossa mídia está inundada de imagens sexualizadas, desde anúncios em revistas, outdoors e comerciais de TV até letras sexualmente explícitas e vídeos musicais, até cenas de sexo em programas de televisão e filmes. Sexo não é um problema para a maioria das pessoas, mas pode se tornar um problema para alguns. O termo vício sexual é frequentemente usado para descrever o problema que algumas pessoas têm quando agem sexualmente de maneiras que sentem que não podem controlar, e que são prejudiciais à sua saúde e relacionamentos. No entanto, não há um diagnóstico clínico oficial do vício em sexo, tornando a identificação e o tratamento consistentes desta questão um pouco obscuros.
Dificuldades com o Diagnóstico
Parte do desafio na definição do vício sexual é que as normas religiosas e culturais de nossa sociedade são desconsideradas por muitos como excessivamente restritivas. Uma pessoa que se envolve no que pode considerar uma vida sexual normal e ativa — como ter múltiplos parceiros ou se envolver em um ménage — pode ser vista como sofrendo de vício sexual por outra pessoa que vê a situação através das lentes de diferentes valores. Além disso, mesmo os profissionais de saúde comportamentais não concordam se o vício sexual é realmente um vício ou, melhor, se a condição é melhor definida como um comportamento compulsivo ou um vício comportamental. "… mesmo os profissionais de saúde comportamentais não concordam se o vício sexual é realmente um vício…"A Sociedade Americana de Medicina do Vício (ASAM) define um vício como a busca patológica de "recompensa e/ou alívio pelo abuso de substâncias ou outros comportamentos". 1 A organização observa que, no vício, os neurotransmissores e a estrutura do cérebro desempenham um papel integral e são afetados pelo vício. Deficiências no controle de impulso, julgamento e fator de memória no vício também. Atualmente, a ASAM considera o sexo um verdadeiro vício para algumas pessoas. 1 O Manual diagnóstico e estatístico (DSM-5), no entanto, não inclui uma categoria de diagnóstico para dependência sexual. O diagnóstico foi proposto, mas não aceito para inclusão final na última edição. Muitos no campo são inflexíveis de que o vício sexual é muito real, mas um número significativo de pessoas acredita que o vício sexual é feito para ajudar os adúlteros a justificar seus comportamentos. 2
Vício em Sexo vs. Vício em Pornografia
Muitas pessoas casualmente usam pornografia sem repercussões negativas. No entanto, outras pessoas se consomem com pornografia,levando a um impacto negativo em seus relacionamentos de várias maneiras. Muitos que estão preocupados com pornografia preferem pornografia a parceiros reais quando se trata de atividade sexual. E alguns achados correlacionam a visualização pornográfica com atitudes violentas em relação às mulheres. 3 Pornografia não é sexo, no entanto, e as pessoas que são os chamados viciados em pornografia também não devem ser rotuladas com um vício em sexo, a menos que haja evidências sólidas em contrário.
Os efeitos nocivos a esperar
O vício em sexo pode levar a muitas repercussões negativas. Uma pessoa que tem um número relativamente grande de encontros sexuais compulsivos pode estar em risco muito maior de contrair uma DST ou colocá-lo em situações perigosas. Os comportamentos daqueles com vício em sexo muitas vezes levam a problemas em seus relacionamentos primários também. Quando os parceiros descobrem os casos e enganam, naturalmente sentem raiva pela traição da confiança. Muitas pessoas viciadas ficam tão fora de controle que sofrem consequências legais por suas atividades sexuais. Problemas adicionais surgem relacionados a vícios sexuais quando se manifestam como parafilias, ou um conjunto de comportamentos que lhe causam angústia ou prejuízo, podem causar danos ou colocá-lo em risco de prejudicar a si mesmo ou aos outros. É comum uma pessoa ter múltiplos distúrbios parafílicos. O DSM-5 inclui 8 grandes tipos de desordens parafílicas, incluindo:4
- Desordem voyeurística: O ato de observar os outros na atividade sexual. Isso também pode incluir observar pessoas nuas ou pessoas que estão se despindo.
- Desordem exibicionista: Quando uma pessoa expõe seus genitais em público. Isso não inclui urinar em público.
- Desordem frotteurística: Inclui tocar e esfregar os genitais contra uma pessoa que não consentiu com esse comportamento (como em um local público como um metrô).
- Transtorno de masoquismo sexual: Pode incluir se envolver em humilhação, escravidão ou sofrimento nas mãos de outro. As pessoas se envolverão nesses atos sexuais apesar das preocupações com a morte por asfixia erótica (asfixia).
- Transtorno de sadismo sexual: Refere-se a infligir humilhação, escravidão ou sofrimento em outro.
- Desordem pedílica: Isso se refere a um foco sexual em crianças e é definido quando um agressor tem 16 anos ou mais e a criança tem 5 anos ou mais.
- Desordem fetichista: Isso se refere ao uso de objetos não-mais animados, como roupas, sapatos ou couro, para excitação sexual. Este transtorno também inclui erotismo sobre partes não genitais do corpo, como dedos dos pé ou cabelos. O uso de vibradores ou roupas femininas quando usado para travestis não atende aos critérios para este transtorno.
- Desordem transvestica: Travesti para excitação sexual.
Existem outras definições de vício em sexo baseadas em altos níveis de atividade sexual, incluindo transtorno hipersexual (um transtorno sexual de alto volume). No entanto, esse tipo de desordem não está incluído no DSM-5.
Alguns sinais e sintomas para olhar para fora
O vício em sexo de qualquer tipo é marcado por uma perda de controle: a pessoa não pode mais controlar a compulsão de fazer sexo, apesar das consequências negativas. Masturbação compulsiva, uso compulsivo de pornografiae múltiplos casos são alguns tipos de comportamentos que evidenciam essa falta de controle. 5 Tenha em mente que um sinal ou sintoma por si só não é igual a prova de que uma pessoa necessariamente tem um vício em sexo. Normalmente, múltiplos sintomas precisam ocorrer simultaneamente para indicar um vício em sexo e causar sofrimento significativo para você e perturbação de sua vida. A pessoa viciada continua a se envolver nos comportamentos, mesmo à luz das consequências que podem incluir:
- Social: As relações familiares são prejudicadas. Os empregos podem ser afetados ou perdidos.
- Física: Pode ter DSTs ou gravidez não intencional.
- Emocional: Ansiedade e depressão.
- Legal: Prisões por comportamentos como solicitar sexo de prostitutas, fazer sexo em público e assédio sexual.
- Financeiro: Gastar dinheiro com pornografia e prostitutas. Salários perdidos devido ao impacto de um vício na capacidade de manter o desempenho de qualidade no trabalho.
Outros sinais de vício em sexo incluem 5
- Esforços para parar o comportamento sexual, mas a incapacidade de fazê-lo.
- Preocupação com o sexo à medida que se torna consumista e é usada como uma maneira de escapar.
- Escalada: com o tempo os comportamentos se tornam mais arriscados e mais intensos quando o que antes proporcionava uma emoção não faz mais.
- Incapacidade de cumprir obrigações: Faltar ao trabalho devido a visitar prostitutas, por exemplo, ou não pagar contas por causa do dinheiro gasto com pornografia.
- Retirada: Quando uma pessoa tenta parar, ou é impedida de agir, ela pode experimentar irritabilidade, raiva, inquietação e extrema frustração.
Recursos para o Tratamento
Um passo importante a ser dados inicialmente no trabalho com o vício sexual é um rastreamento cuidadoso, que garante que os comportamentos sexualizados não sejam causados por outros transtornos, como o Alzheimer, ou por tomar certos tipos de drogas. Uma vez que outras possíveis causas sejam descartadas, o tratamento pode começar. Estudos mostram que alguns medicamentos demonstram promessa no tratamento do vício sexual. A droga naltrexona, quando adicionada a um tipo de antidepressivo SSRI, foi encontrada para reduzir significativamente a atuação sexual. 6
Terapia Cognitiva Comportamental
A terapia cognitiva comportamental é a forma de tratamento mais utilizada para o vício sexual, pois é direcionada à identificação de gatilhos para o vício comportamental e habilidades de aprendizagem para lidar com esses gatilhos. "A terapia cognitiva comportamental é a forma mais usada de tratamento para o vício sexual…" Atualmente, há pesquisas limitadas no campo do vício sexual, por isso não foram estabelecidas melhores práticas mais definitivas. 5 No entanto, alguns programas oferecem aconselhamento psicosecêmpico orientado a insights, que tem se mostrado benéfico para algumas pessoas. 7 As necessidades de cada pessoa são diferentes. Em alguns casos, a pessoa que luta contra o vício sexual também está lidando com outros vícios, como álcool ou opioides, e esses vícios co-ocorridos precisam ser enfrentados. Muitas pessoas com vícios em sexo também têm problemas psiquiátricos co-mórbidos, como depressão e ansiedade que devem ser tratados também. 7 Um dos elementos-chave do tratamento é uma avaliação minuciosa. Isso é muitas vezes difícil de realizar, pois pessoas com vícios sexuais tendem a minimizar seus auto-relatos de atuação sexual. 7 É por isso que é essencial encontrar um profissional de saúde mental treinado que possa avaliar com precisão a situação e fornecer a ajuda que você ou seu ente querido precisa.
Terapia familiar
A terapia familiar também é fundamental para o sucesso do tratamento, já que o vício sexual impacta as relações nos níveis mais íntimos. Sentimentos de traição e raiva devem ser abordados para que a pessoa sexualmente viciada e seu parceiro passem por esse difícil processo de tratamento e recuperação. Complicando ainda mais o processo é o fato de que cônjuges ou outros significativos de viciados em sexo muitas vezes desempenham um papel co-dependente na habilitação do vício de seu parceiro. Essa faceta do vício deve ser abordada na terapia para dar à pessoa com um vício sexual a melhor chance possível de recuperação. 7
Programas de Internação e Ambulatorial
Programas formais estritamente para o vício em sexo não existem atualmente, por isso procure um programa de tratamento que se concentre em vícios comportamentais ou vícios compulsivos. Os princípios empregados lá servirão bem à pessoa viciada em sexo. Se você descobrir um programa de internação como este, espere viver no centro de tratamento por um período de tempo pré-determinado, muitas vezes 30 dias. Os programas ambulatoriais, no entanto, permitem que uma pessoa more em casa enquanto frequenta a terapia várias vezes por semana. O tratamento de internação pode ser o melhor para aqueles que são suicidas ou que têm transtornos psiquiátricos ou de abuso de substâncias subjacentes. Independentemente de o tratamento estar internado ou ambulatorial, a terapia em grupo é uma ótima opção para o tratamento de vícios sexuais. O trabalho em grupo ajuda as pessoas a se sentirem menos isoladas; fornece um grupo de pares que pode enfrentar o pensamento defeituoso à medida que surge; e fornece informações e exemplos reais de enfrentamento de comportamentos sexualmente compulsivos. A terapia em grupo também melhora as habilidades de comunicação com os outros. 7
Grupos de pós-atendimento e suporte
Para o pós-tratamento contínuo, existem vários programas de 12 etapas projetados para atender às necessidades específicas de pessoas com vícios sexuais. Esses programas, incluindo Sexaholics Anonymous e Sex Addicts Anonymous, usam os mesmos princípios encontrados em outros programas conhecidos de vício de 12 passos. Assim como com os Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos, os participantes participam de reuniões regulares e recebem sabedoria de recuperação e apoio de um patrocinador do programa. Diferente dos objetivos baseados em abstinência do tratamento de drogas e álcool,porém, o objetivo para aqueles com vício em sexo não é abstinência completa, mas sim um retorno ao comportamento sexual saudável. O processo de recuperação do vício sexual é difícil e desafiador. "Deslizamentos" são comuns e ocorrem frequentemente ao longo do tratamento. Ao contrário do vício em drogas, onde uma pessoa pode evitar situações em que drogas estão presentes, os viciados em sexo não podem evitar mensagens sexuais, imagens e tentações na forma de outras pessoas. É importante que uma pessoa que busca ajuda para um vício sexual encontre um terapeuta treinado e qualificado que entenda as nuances das relações sexuais saudáveis versus não saudáveis, e possa ajudar a guiar a pessoa para a recuperação a longo prazo. 7
Fontes
- Sociedade Americana de Medicina do Vício. (2011). Qualidade e Prática: Definição de vício.
- Kafka, P.M. (2010). Transtorno hipersexual: Um diagnóstico proposto para DSM-V. Arquivos de ComportamentoSexual , 39(2), 377-400.
- Universidade de Minnesota. (n.d.). Pesquisas recentes em pornografia.
- Associação Americana de Psiquiatria. (2013). Center City, MN: Hazelden.
- Derbyshire & Grant, J.E. (2015). Comportamento Sexual Compulsivo: Uma Revisão da Literatura. Journal of Behavioral Addictions, 4(2), 37-43.
- Hagedorn, W.B., & Juhnke, G.A. (2005). Tratar o cliente sexualmente viciado: Estabelecer uma necessidade de maior conscientização dos conselheiros. Journal of Addictions & Offender Counseling, 25(2), 66-86.